domingo, 10 de janeiro de 2010

AMOR PLATÔNICO III

Outro dia, comentava com uma amiga sobre essas "paixonites" pueris que nos acometia no inicio de nossa adolescencia. Na ansia de crescer logo e tornar-se uma pessoa adulta, queríamos transformar nossas vidas em tubos de ensaios e laboratorios de experiencias. Claro que, na maioria das vezes, só ficava no planejamento; a realização de tais projetos era muito grandiosa para ser colocada em prática.
Tudo tem sua época e essa foi uma fase que passamos. Na escola, aprendíamos sobre Literatura e o Romantismo e os romances que tínhamos de ler, influenciavam nossos sonhos bobos. Hoje, isso não acontece. Pelo menos, não com a frequencia de outros tempos. Ainda bem que, atualmente, os jovens resolvem tudo de uma maneira mais facil:
- Tô na tua, quer ficar comigo? Se não quiser, não embaça, que a fila anda...
E a maioria das coisas são transitorias, mas resolvidas. Era divertido sentir esse interesse passageiro por alguem; ficávamos a imaginar desde o nome até a profissão da figura para, algum tempo depois, esquecer tudo.
Lembro-me de uma vez, eu e umas duas amigas (não sentíamos ciumes uma das outras porque todas estavam na mesma situação) nos interessamos por um engenheiro, empreiteiro ou sei lá o quê, que estava envolvido na reforma da escola. Sempre víamos ele chegar num carro prata (não lembro a marca e o tipo, as meninas - exceto as "marias gasolina" - não se ligavam nissso). Colhemos umas plantinhas que se julgavam flores, escrevemos um bilhetinho dizendo que achávamos o fulano interessante e deixamos no pára-brisa do tal carro. Ficamos num ponto onde poderíamos observar a reação do cidadão quando visse a surpresinha que deixamos. Surpresas ficamos nós quando vimos uma professora chegar, pegar as plantinhas e o bilhete, dar risada e ir embora no carro. Ficamos com cara de babacas; naquele dia o cara não foi e havíamos confundido o carro dele com o da professora. Depois disso, algumas risadas devido a professora já ser uma senhora idosa, deixamos o caso prá trás e esquecemos o cara.

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