sábado, 27 de fevereiro de 2010

UMA LINDA FAMÍLIA

O primeiro a aparecer foi o Gatão. Cinza, tigrado, srd. Foi bem tratado, demos leite, água e comida. Fez amizade, deixava que o pegássemos e o acariciássemos. Seu pêlo era grosso e espesso. Era bonzinho, nunca nos arranhou nem fez aquela careta que gato faz quando quer assustar.
Um tempo depois, veio a Gata. Preta e branca, meio desconfiada, mas querendo fazer amizade. Viu que o Gatão era bem tratado e foi perdendo o medo, se aproximando mais. Estava arisca porque não estava só. Acompanhava a mamãe Gata, um gatinho muito fofinho de, aproximadamente, três meses. Com certeza, filho do Gatão e da Gata. Era branco e cinza tigrado, tinha uma manchinha marrom no narizinho arrebitado e seu pêlo era muito macio. Parecia uma bolinha de pêlo. E foi esse o nome que recebeu: Bolinha. O único da família que recebeu um nome.
Bolinha era muito arisco, tinha muito medo de pessoas. Toda a família desaparecia durante o dia, mas quando chegava a hora de comer, era só chamar por um, que todos apareciam. Continuamos a dar leite para o Bolinha, ele adorava. Foi assim que consegui pegá-lo pela primeira vez. Ele estava tão empenhado em tomar leite, que não percebeu que eu me aproximava, lentamente, por trás. Quando ele se deu conta, eu já tinha colocado as mãos nele. Percebeu que só queríamos fazer amizade e cuidar deles.
Durante um tempo, essa família de gatos foi nossa hóspede. Desaparecia durante o dia e só vinha comer e dormir. Mas como, no mundo, existem pessoas que não gostam nem dos seus semelhantes, existiam pessoas que não gostavam dos pobrezinhos e se incomodavam por cuidarmos dos bichanos. Deram veneno para o Gatão e para a Gata. O Gatão morreu, foi tarde demais para ele. Tentamos salvar a Gata. Demos leite para tentar cortar o efeito do veneno. Ela teve uma pequena recuperação. Conseguiu se arrastar e ir embora. Não sei se morreu depois.
E o Bolinha? Até hoje, não dei o que aconteceu com ele. Nunca mais o vi. Não sei se deram veneno para ele, também. Se ele morreu. Se ele fugiu, depois que viu os pais morrerem, ou, pelo menos, o pai. Se a mãe recuperou-se e ele foi embora com ela. Se ficou sozinho, quem terá cuidado dele? Às vezes, o chamava na esperança vã que ele pudesse estar por perto e aparecer. Nada. Senti muita saudade daquela família de gatos, mas eles não eram nossos, não sabíamos se tinham donos. O tempo que conviveram conosco, foram bem tratados e nos alegraram. Eles estavam certos em serem desconfiados, pois, infelizmente, existem pessoas que fazem essas maldades e, no domingo, vão para a igreja...

MINHA FRASE DO DIA

É A ÂNSIA DE VIVER QUE ATROPELA A RAZÃO.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

FIM

Sinto a dor de ter passado pela vida
e não ter sido amada.
Sinto meus dias chegando ao fim,
minha jornada, em breve, terá terminado.
Amei e não fui amada,
chorei e ninguém enxugou minhas lágrimas...
Tive sonhos de amores
que se desfizeram no ar,
construi castelos
e vida perfeita de contos de fadas
com príncipes nada encantados.
Logo, minha busca por amor findar-se-á
e eu terei passado pela vida
sem ter sido amada.

Em 12/02/2010

OBS.: Este pequeno poema teve inspiração nos sonetos de Florbela Espanca.

SE EU MORRESSE AMANHÃ

Se eu morresse amanhã,
não levaria os livros
mas o saber que me proporcionaram.
Se eu morresse amanhã,
não levaria os amores
mas as lágrimas que chorei.
Se eu morresse amanhã,
não levaria a alegria
mas a dor da solidão.
Se eu morresse amanhã,
quem notaria?
quem sentiria?
quem choraria?
se eu morresse amanhã...

Em 05/02/2010

OBS.: Este pequeno poema teve inspiração em Álvares de Azevedo.